domingo, 10 de agosto de 2025

No distante K2 uma evidência de vida preocupa Henrique

A descoberta científica astronômica mais importante (talvez) de 2025 veio de um planeta fora do Sistema Solar, o K2-18b, que orbita sua estrela na zona de possibilidade de vida da Constelação de Leão. Trata-se da provável bioassinatura microbiana que comprovaria a existência de vida extraterrestre. Como bom leonino, o K2 está contente com a fama e já contou as boas-novas ao micróbio responsável pela assinatura biológica que causou frisson aqui na Terra a cerca de 124 anos-luz ao ser confirmada pelo telescópio James Webb, da Nasa.

                                                                O telescópio James Webb

Ninguém perguntou, mas o micróbio se chama Henrique. Henrique nunca pensara em alcançar nenhum status de celebridade, especialmente tão longe de casa, mas apesar da modéstia que lhe foi peculiar até o momento de se tornar um astro, já vem falando abertamente sobre os muitos sonhos que guardara toda a vida, desde que era apenas uma única célula perdida em K2. 

Kike, como era conhecido por K2, queria crescer e se multiplicar, sonhava encontrar outro micróbio pluricelular como ele e originar seres mais complexos; queria se tornar um ser vivo capaz de ser visto a olho e talvez nu, ainda que isso se desse em um jardim de onde depois fosse expulso com seu parceiro e, envergonhados da própria nudez acabassem cobrindo tudo com folhas de parreira. 

Henrique e ele ou ela então dariam continuidade a tudo que existisse fora de lá: plantas, bichos e gentes, iniciariam vilarejos que cresceriam em cidades, países e organizações internacionais. O célebre casal idealizaria programas nas recém inventadas redes de televisão para expor seus pratos gourmets; poria em prática as ideias de vallets para os carros que já vinha planejando, as casas de móveis brancos e estilo clean, além dos helicópteros e hiates que cruzariam seus céus e mares compartimentados e patrulhados por oficiais de fronteiras. E seus povos incrementariam a tecnologia até chegarem às armas, às guerras tarifárias e às ameaças de uso de bombas de aniquilação maciça. Já autônomos, depois de se esquecerem de Henrique e Cia, esses povos seguiriam expandido feitos. Da comunicação satélite então chegariam aos foguetes e telescópios que perscrutariam o espaço e descobririam, com sorte, um simplório microorganismo sonhando chegar aonde ele já chegou...

Mas, de repente, KiKe se sentiu triste. Deu-se conta de que era só mais um micróbio orbitando uma estrelinha no meio de bilhões e de que sua existência se encaminhara para algo já planejado, previsto e executado e ele parecia fadado a repetir uma história já tantas vezes escrita e com o mesmo desfecho: o tédio do fim.

E Henrique olhou ao redor. Era um micróbio feliz, mergulhado em um caldo nutritivo e termicamente ajustável em seu planeta. Tudo bem que K2 era meio metidinho, mas e daí? Era seu, só seu e as coisas estavam em perfeito equilíbrio. Tinha aquilo de que precisava: paz. Quer dizer, tivera. Porque hoje já se preocupava com aquela espécie de inxeridos, que não sabiam ficar na deles e miravam as máquinas na direção do seu astro-casa. E agora Henrique estava sob prescrição de anti-ansiolíticos, constantemente peocupado se seu planeta seria invadido por aqueles alienígenas, seus espelhos e péssimas ideias de decoração.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Flores da etimologia: índigo

A palavra índigo, também denominada anil, tem sua provável origem no castelhano, através do latim "indicus", que significa "da Índia", pois era de lá que vinha a substância que dá origem ao belo azul com o qual tingimos as populares calças "blue" jeans.

                                                Fonte da imagem: https://etnobotanica.com.br/indigonatural


Fonte: Pixabay

Similarmente em referência ao país asiático, temos ainda Índico, que nomeia o Oceano "da Índia", o que aparece igualmente na forma em inglês "Indian Ocean".


Fonte: https://www.infoescola.com/geografia/oceano-indico/


Referências: 

CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Lexicon: Rio de Janeiro, 2012. Versão Kindle.

Embora não seja referência para esta postagem, vale conhecer o poema de Chitra Banerjee Divakaruni acerca da exploração exercida pela coroa britânica sobre agricultores indianos para a extração do anil em https://www.poetryfoundation.org/poems/57661/indigo. Aqui deixamos um trecho da belíssima composição.

Bengala, 1779-1859


Os campos ardem com ela, infinitos, azuis
como veneno de cobra. Entrou em nosso sangue
e pulsa em nossas veias
como a noite. Não há outra cor.
O chicote do plantador
abre a carne dos nossos rostos,
uma luz líquida azul escorre
através dos dedos. O azul tinge os pulmões
quando respiramos.  (...)

DIVAKARUNI, Chitra Banerjee. 



quinta-feira, 17 de abril de 2025

Luzes, câmera e Ainda Estou Aqui

Drama é uma palavrinha que chega ao português através do latim, mas tem origem no grego e significa "ação". Para isso, temos o texto dramático, ou seja, o texto escrito para ser posto em ação, encenado, para ser apresentado ao público. 

O texto dramático apresenta uma estrutura específica, com rubricas (que "indicam aos atoresao diretor e à produção-artefigurino etc.- detalhes imprescindíveis da cena"), falas diretas para os personagens e divisão em cenas (quando se alteram os atores) e atos (quando se altera o cenário).

Embora não haja consenso em classificá-la como texto dramático-literário, o cinema também trabalha com uma estrutura dramática denominada roteiro. Sobre o gênero, o filme "Ainda Estou Aqui", ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional, apresenta texto de Murilo Hauser e Heitor Lorega e foi vencedor de Melhor Roteiro em Veneza

Disponibilizada no jornal O Globo (05/02/2025), reproduzimos abaixo uma página do roteiro aclamado mundialmente a fim de que se possa observar a estrutura do gênero. Trata-se da útima vez em que Eunice Paiva vê o marido com vida no filme e a força contrastante entre a inocência das crianças e a apreensão disfarçada dos pais marcará o tom da histórica a partir dali.

Página de roteiro do filme "Ainda Estou Aqui"

A reportagem "Não basta escrever. Tem que participar" traz também revelações interessantes, como a inclusão de uma cena relacionando a casa da família Paiva, esvaziada de todas as lembranças após a prisão e morte do deputado Rubens Paiva pela ditadura militar, ao Alzheimer de que sofre a matriarca Eunice Paiva no final da vida, depois de tanto buscar e não deixar (-se) esquecer a memória de seu falecido marido.


Referências:

Seria o roteiro uma obra de arte? NANICELLI, Ted; GONÇALO e MONTEIRO (trad.). Esferas, ano 11, vol. 2, nº 21, maio-agosto de 2021.<https://portalrevistas.ucb.br/index.php/esf/article/view/13445/7552> Acesso em 29 mar 2025

HOUAISS, Antonio. Dicionário Uol. Disponível em: <https://houaiss.uol.com.br/houaisson/apps/uol_www/vopen/html/inicio.php/0db/rubrica> Acesso em 29 mar 2025

URBIM, Emiliano. Não basta escrever: tem que participar. O Globo, Segundo Caderno, 05.fev. 2025, pág. 01


sábado, 29 de março de 2025

As ceroulas de Graciliano

Em carta destinada à mãe, Maria Amélia Ferro Ramos, em 14 de novembro de 1910, o escritor alagoano Guimarães Rosa se despede de maneira peculiar e faz um pedido "dramático":

"Adeus. Lembranças às meninas. Logo apareço, daqui a uns dez anos. Graciliano. E as minhas ceroulas? Estou quase nu."



Fonte: RAMOS, Graciliano. Cartas (Portuguese Edition) (p. 9). Record.


Livros são clareiras, ar e luz

O paralelo entre este blog e "O Jardim Secreto", de Frances Hodgson Burnett se faz quando imaginamos que o jardim encontrado pela protagonista Mary Lennox estava sem respirar, descuidado e quase morto, mas que, a partir do instante em que a menina se dedica a cuidar dele, abrindo clareiras para que os brotos possam receber luz e ar, o jardim volta a recuperar sua força e exuberância. 

Assim áridas são as pessoas sem arte, limitadas à realidade, que pode sufocar. É aí que entram os livros- as clareiras de Lennox (e qualquer forma de arte)- como um respiro em meio ao caos, como oxigênio e sol, como as cores das flores em um jardim antes sem vida.

Imagem: JuanReyesRuiz, em Pixabay
Imagem de Juan Reyes Ruiz, em Pixabay

"Mary não sabia nada de jardinagem, mas a grama parecia tão espessa nos trechos em que os brotos verdes despontavam que achou que eles não pareciam ter espaço o bastante para crescer. Procurou pelo chão até encontrar um pedaço de madeira bastante afiado, ajoelhou-se, cavou e arrancou as ervas daninhas e o excesso de grama até criar pequenas clareiras em volta deles. – Agora eles parecem poder respirar – falou ela depois que tinha feito as primeiras clareiras. – Vou fazer muitas outras. Vou fazer clareiras em volta de todos os brotos que vir. Se não tiver tempo hoje, posso voltar amanhã."

Burnett, Frances Hodgson. O jardim secreto (Clássicos da literatura mundial) (Portuguese Edition) (pp. 68-69). Tricaju. Edição do Kindle por R$ 9,90 na Amazon. Pesquisa de preço em 29/03/25

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Imersão: o Morro dos Ventos Uivantes

Na série “Imersão”, serão apresentadas obras literárias para “experimentação virtual”, com trechos para saborear, tretas, crushes, mistério e muito mais envolvendo autores, épocas e locais de publicação. Vamos juntos?

Inauguramos a série com “O Morro dos Ventos Uivantes” *

Ambiente: Séc. XIX. Inglaterra, zona rural. Em meio às terras encharcadas dos pântanos. 

Imagem: Flickr

Você está cansado, cavalga há dias, e uma tempestade vem em sua direção. O único abrigo é uma casa assustadora no alto de uma colina. Sem outra opção, você busca por auxílio e é levado a um quarto de paredes recobertas por madeira escura, cheio de poeira, livros e diários antigos. Uma cama solitária é onde você se acomoda e lê trechos de uma história triste, a história de Catherine, que ora se denomina Catherine Linton, ora Catherine Earnshaw, ora Catherine Heathcliff. Essa estranha parece ter sido consumida por um amor oculto, triste e amaldiçoado. Lendo as frases soltas no diário de Catherine, você acaba cedendo ao cansaço e adormece...

“(...)Adormeci e tive um novo sonho. Um sonho, se possível, ainda mais estranho e desagradável que o anterior.

Desta vez, lembro-me de que estava deitado neste aposento de madeira escura e conseguia ouvir com clareza a forte ventania e a crueldade da tempestade de neve. Escutava ainda as irritantes pancadas dos galhos das árvores na janela, tendo sossegado assim que percebi qual a sua causa.

No entanto, o som incomodava tanto que, dentro do possível, resolvi pará-lo. No meu sonho, levantava-me e tentava abrir a janela; o fecho estava preso ao encaixe, algo que eu já havia notado quando acordara, mas que entretanto esquecera.

« Tenho de acabar com este barulho de qualquer forma!» resmunguei, impaciente. E foi assim que, com um soco, parti o vidro, esticando em seguida o braço para agarrar o ramo. Porém, contrariamente ao esperado, agarrei os dedos de uma mão de criança, pequena e gélida!

Fiquei completamente aterrorizado pela intensidade do pesadelo. Tentei largar a mão, mas ela se agarrou aos meus braços ainda com mais força. Subitamente, escutei uma voz extremamente melancólica e triste, soluçando:

« Deixe-me entrar, por favor, deixe-me entrar!»

« Quem és tu?» perguntei, lutando desesperadamente para me libertar da mão que me agarrava.

« Catherine Linton» respondeu a voz, trêmula (...) «Voltei, perdi-me nos brejos!»

Na escuridão, consegui ver um rosto de criança olhando pela janela. Então, o meu terror transformou-se em crueldade. Face à impossibilidade de me libertar daquela criatura, agarrei-lhe o pulso e rocei-o no vidro partido até o sangue começar a escorrer, acabando por molhar os lençóis.

Porém, a estranha visão continuava a chorar «Deixe-me entrar!» , agarrando-se a mim com tal força, que quase me enlouquecia de pavor.

« Como...?!» disse-lhe então. « Solte-me, se queres que te deixe entrar!»

Assim que os seus dedos se soltaram, retirei rapidamente a minha mão e comecei a empilhar livros e mais livros contra a janela, tapando os ouvidos para não ouvir mais os seus lamentos. Devo ter permanecido assim por mais de um quarto de hora. Porém, mal os destapei, logo o choro triste e dolorido recomeçou.

« Vá embora» gritei. «Nunca te deixarei entrar, nem que implores durante vinte anos» .

« Vinte anos» lamentou-se, « Há vinte anos que estou vagando!»

De repente, ouvi um ligeiro ruído no lado de fora e a pilha de livros mexeu-se, como se tivesse sido empurrada. Tentei fugir, mas não me consegui mexer. Então, estarrecido, gritei o mais alto que podia.

(...)”

Fofocando:

1- O trecho acima é de O Morro dos Ventos Uivantes, publicado em 1847.

2- O livro foi escrito por Emily Brontë, jovem inglesa que vivia na região pantanosa próxima a Yorkshire.

Não este yorkshire:

Este:


Não é um charme?

3- O Morro dos Ventos Uivantes foi lançado sob o pseudônimo (nome falso) masculino de Ellis Bell. Na época, o papel feminino aceito pela sociedade não era o intelectual, mas o de dona de casa, esposa e mãe. Para se protegerem da exposição, muitas mulheres publicaram sob nomes masculinos. Nesta reportagem da BBC, você fica sabendo mais: clique aqui


4- Infelizmente a autora não viu o sucesso de sua publicação, pois morreu de tuberculose um ano após o lançamento da obra que a consagraria uma das maiores escritoras do Romantismo.


5- A obra é importante não só pelo retrato da Inglaterra vitoriana (1837-1901), mas também pela temática. A escritora aborda o abuso doméstico, refletido na relação doentia dos protagonistas (Heathcliff e Catherine), tendo como pano de fundo o amor obsessivo, especialmente na figura do personagem masculino, os temas góticos e o preconceito de classes.


6- Estas são as ruínas de Top Withens, uma das residências que teriam inspirado a criação da casa do Morro dos Ventos Uivantes:



Será aquela única árvore em pé ao lado dos escombros a tal árvore que se transformou em gente na versão para cinema com Ralph Fiennes e Juliette Binoche?

A história dessa residência também está cercada de aparições fantasmagóricas. Muitos curiosos visitam o local, que tem até placa de identificação como ponto turístico:




7- Há, porém, outra residência, a Ponden Hall, muito mais conservada (lindona mesmo e reformada!) e à venda pela ninharia de 1,6 milhão de dólares (Eu aceito de Dia dos Professores 🙄), que também se acredita ter influenciado na criação de Brontë. A escritora e três de seus irmãos, ainda crianças e alguns criados, teriam se abrigado nessa casa em 1824, durante uma tempestade terrível, que levantou ondas assustadoras de água, lama e detritos, descrita em documentos da época. Os Brontë teriam ficado amigos dos donos de Ponden Hall e frequentado a casa posteriormente. Emily teria se encantado com a biblioteca.

Clique na imagem e acompanhe o vídeo e fotos do anúncio de venda da Ponden Hall:


8- Planejando conhecer a zona rural de Yorkshire? Esta é a residência dos Brontë, em Haworth, agora um museu, em homenagem à família. O local é descrito como um lugar “de paz e melancolia”.


Confira no museu:

Cozinha

A sala de jantar.
 
Os sapatos de Charlotte Brontë

9- Outras irmãs Brontë também escreveram. Anne Brontë, a caçula, publicou A Senhora de Wildfell Hall (às vezes encontrado como A Inquilina de WH, ou O Tenente de WH) e Agnes Gray (1847), e é de Charlotte Brontë uma das obras mais influentes da literatura inglesa, Jane Eyre, também de 1847. As irmãs eram consideradas reclusas, não se expunham à sociedade. Há, por isso, uma misteriosa (e assustadora) fotografia que, ainda hoje, tenta-se descobrir se é ou não o retrato das famosas Brontës.

Os olhos quase fantasmagóricos da moça à esquerda se dão por uma superexposição à luz, algo comum na época, já que as máquinas fotográficas estavam em fase de experimentação.

Não se tem nenhum registro oficial dos rostos da família Brontë, a não ser de Emily, num pedaço de fotografia que teria sobrado após o marido de Charlotte ter queimado o resto da imagem porque achou que sua esposa tinha saído “mal na foto” (quem nunca deletou uma selfie que atire o primeiro smartphone). 



A imagem abaixo, com as três irmãs seria, se verdadeira, portanto, um valioso documento. O que vocês acham? Posto também alguns desenhos representando as irmãs. Tirem suas conclusões (mas me contem nos comentários!)

A foto polêmica

Anne, desenhada pela irmã Charlotte

Representação de Emily Brontë

As irmãs Brontë, desenho de Branwell (irmão)

10- O único irmão das meninas Brontë (responsável pelo desenho acima), e também o herdeiro legal dos bens da família, era Branwell. Apesar das expectativas do clã, o rapaz não foi bem sucedido na vida íntima. Clicando na imagem abaixo você consegue dar zoom em HD em cada cantinho do caótico quarto do rapaz (no museu), bagunça que, vale dizer, muita gente associa à confusão e decadência pessoal de Branwell.



11- Pra encerrar,  só este detalhe de livros nos aposentos de Emily Brontë (acho tão chique essas capas antigas!). Clicando sobre a foto,  você acessa mais um zoom em HD.



Referências:
  1. BRONTË, Emily. O Morro dos Ventos Uivantes
  2. GLOBO Livros. O Livro da Literatura: as grandes ideias de todos os tempos.
  3. A trágica história de Patrick Brontë: http://northernlifemagazine.co.uk/branwell-bronte/
  4. Vista da casa dos Brontë: https://www.traveller.com.au/content/dam/images/h/1/4/j/m/n/image.related.articleLeadwide.520x294.h14jm2.png/1537157161398.jpg
  5. Vídeo-propaganda da venda de Ponden Hall: https://www.youtube.com/watch?v=ZfhpvbVG6xI#action=share
  6. Para comprar Ponden Hall para a professora: https://www.fineandcountry.com/uk/property-for-sale/keighley/bd22-0hr/1350153. Infelizmente ela foi vendida (atual. 07/07/21)
  7. Sobre a história da propriedade Ponden Hall: https://www.smithsonianmag.com/smart-news/house-may-have-inspired-wuthering-heights-sale-180971675/
  8. Sobre lugares que lembram e inspiraram Emily Brontë: https://life.spectator.co.uk/articles/a-walk-in-emily-brontes-footsteps/
  9. Sobre mulheres que escreveram com nomes masculinos: https://www.bbc.com/portuguese/geral-43592400
  10. Sobre Top Withens, que inspirou O Morro: https://www.yorkshirepost.co.uk/whats-on/arts-and-entertainment/true-story-house-hill-inspired-wuthering-heights-1799935
  11. Sobre a tempestade que levou à Ponden Hall: http://www.thecompassmagazine.co.uk/haworth-bog/
  12. Sobre a foto das irmãs: https://whatsupwithbrontemania.wordpress.com/2017/02/17/blog-post-title-2/
  13. Sobre o cãozinho yorkshire, ooowwnnnnnnnnnnnnnnnn: https://www.petz.com.br/cachorro/racas/yorkshire/
  14. Conheça Yorkshire Dales (meia hora de carro até a cidade de Emily Brontë): https://www.youtube.com/watch?v=qJTMeXUfLJ8
  15. Site da Vila de Haworth (local do museu Brontë): http://www.haworth-village.org.uk/webcam.asp
  16. * O Morro dos Ventos Uivantes está à venda a partir de R$ 16,90 na amazon.com.br (consulta em 28 fev 2020) e no estantevirtual.com.br a partir de R$ 7,90. Vai assistir ao filme? Recomendo esta versão cuja música  (sucesso dos anos 70's) conta a trágica história de Heathcliff e Catherine:  https://www.youtube.com/watch?v=PzzsmzAyOs8


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Poesia todo dia. Curte poesia? Esta série é pra você!


E poesia precisa de razão?
De motivo?
Claro que não
Às vezes, ela só precisa de você
Pra acontecer


Lembram-se do que já conversamos? Sobre como ler nos ajuda a conhecer e explicar sentimentos e experiências, mesmo aqueles que nem somos capazes de nomear? Pois bem, eis este trecho do belíssimo poema da escritora americana Mary Elizabeth Frye.

Clique na imagem do original para acompanhar vídeo e leitura em inglês.

Por que fazer isso?
Por razão nenhuma, só porque é lindo. Lindo, triste e pleno da mais desejada promessa, a de que continuamos a viver para sempre nas pequenas belezas das coisas... 


Não se ponha a chorar sobre meu túmulo.
Eu não estou aí.
Eu não durmo.
Eu sou mil ventos que sopram.
Eu sou o brilho de diamante na neve.
Eu sou a luz do sol nos grãos maduros.
Eu sou a chuva gentil de outono,
Quando você estiver acordado no silêncio da manhã.
Eu sou a disparada rápida e inspiradora
De pássaros quietos voando em círculo. 
Eu sou as estrelas suaves que brilham à noite.
Não se ponha a chorar sobre meu túmulo.
Eu não estou aí.
Eu não morri.

(trad. da versão em vídeo)


Fonte da imagem: Pinterest