sexta-feira, 18 de abril de 2025

Flores da etimologia: índigo

A palavra índigo, também denominada anil, tem sua provável origem no castelhano, através do latim "indicus", que significa "da Índia", pois era de lá que vinha a substância que dá origem ao belo azul com o qual tingimos as populares calças "blue" jeans.

                                                Fonte da imagem: https://etnobotanica.com.br/indigonatural


Fonte: Pixabay

Similarmente em referência ao país asiático, temos ainda Índico, que nomeia o Oceano "da Índia", o que aparece igualmente na forma em inglês "Indian Ocean".


Fonte: https://www.infoescola.com/geografia/oceano-indico/


Referências: 

CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Lexicon: Rio de Janeiro, 2012. Versão Kindle.

Embora não seja referência para esta postagem, vale conhecer o poema de Chitra Banerjee Divakaruni acerca da exploração exercida pela coroa britânica sobre agricultores indianos para a extração do anil em https://www.poetryfoundation.org/poems/57661/indigo. Aqui deixamos um trecho da belíssima composição.

Bengala, 1779-1859


Os campos ardem com ela, infinitos, azuis
como veneno de cobra. Entrou em nosso sangue
e pulsa em nossas veias
como a noite. Não há outra cor.
O chicote do plantador
abre a carne dos nossos rostos,
uma luz líquida azul escorre
através dos dedos. O azul tinge os pulmões
quando respiramos.  (...)

DIVAKARUNI, Chitra Banerjee. 



quinta-feira, 17 de abril de 2025

Luzes, câmera e Ainda Estou Aqui

Drama é uma palavrinha que chega ao português através do latim, mas tem origem no grego e significa "ação". Para isso, temos o texto dramático, ou seja, o texto escrito para ser posto em ação, encenado, para ser apresentado ao público. 

O texto dramático apresenta uma estrutura específica, com rubricas (que "indicam aos atoresao diretor e à produção-artefigurino etc.- detalhes imprescindíveis da cena"), falas diretas para os personagens e divisão em cenas (quando se alteram os atores) e atos (quando se altera o cenário).

Embora não haja consenso em classificá-la como texto dramático-literário, o cinema também trabalha com uma estrutura dramática denominada roteiro. Sobre o gênero, o filme "Ainda Estou Aqui", ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional, apresenta texto de Murilo Hauser e Heitor Lorega e foi vencedor de Melhor Roteiro em Veneza

Disponibilizada no jornal O Globo (05/02/2025), reproduzimos abaixo uma página do roteiro aclamado mundialmente a fim de que se possa observar a estrutura do gênero. Trata-se da útima vez em que Eunice Paiva vê o marido com vida no filme e a força contrastante entre a inocência das crianças e a apreensão disfarçada dos pais marcará o tom da histórica a partir dali.

Página de roteiro do filme "Ainda Estou Aqui"

A reportagem "Não basta escrever. Tem que participar" traz também revelações interessantes, como a inclusão de uma cena relacionando a casa da família Paiva, esvaziada de todas as lembranças após a prisão e morte do deputado Rubens Paiva pela ditadura militar, ao Alzheimer de que sofre a matriarca Eunice Paiva no final da vida, depois de tanto buscar e não deixar (-se) esquecer a memória de seu falecido marido.


Referências:

Seria o roteiro uma obra de arte? NANICELLI, Ted; GONÇALO e MONTEIRO (trad.). Esferas, ano 11, vol. 2, nº 21, maio-agosto de 2021.<https://portalrevistas.ucb.br/index.php/esf/article/view/13445/7552> Acesso em 29 mar 2025

HOUAISS, Antonio. Dicionário Uol. Disponível em: <https://houaiss.uol.com.br/houaisson/apps/uol_www/vopen/html/inicio.php/0db/rubrica> Acesso em 29 mar 2025

URBIM, Emiliano. Não basta escrever: tem que participar. O Globo, Segundo Caderno, 05.fev. 2025, pág. 01